6.11.09
5.11.09
4.11.09
Ser ilha
Ser ilha não é lá muito bom, as ilhas são aqueles lugares onde dá uma trabalheira chegar, mas depois de lá estar só nos interessa conhecer a melhor maneira de lá sair.
Palavras que eu não gosto mesmo nada
Há dois tipos de palavras nesta categoria: As palavras que eu não gosto mesmo nada mas não me importo de usar (destino, lisonja, substituir, bonsai, insónia, talvez...), e as palavras que eu não gosto mesmo nada e faço questão de nunca utilizar, claro que essas nunca aqui serão escritas por mais que me apeteça (e apetece tantas vezes, por exemplo para explicar que, perene, já escrevi, é uma palavra que faço questão de nunca utilizar fora do âmbito da botânica, e mesmo aí, persistente é mais exacto)
3.11.09
2.11.09
Felicidades
Há qualquer coisa de irresistível nos homens que não acreditam na felicidade. Os homens que acreditam na felicidade são, quase sempre uns patetas.
Felicidades
Não acreditar na felicidade, não faz ninguém infeliz. Da mesma maneira que: Acreditar na felicidade, não faz ninguém feliz.
A POESIA ESTÁ na rua
Gosto muito desta fotografia (do José Ernesto de Sousa) que vi aqui. Não sei muito bem porque é que gosto tanto, tanto dela. Na verdade, não quero saber porque é que gosto tanto dela.
De mim para mim...
Por vezes dou-me conta de que afinal sou bastante mais parecida comigo do que alguma vez imaginei poder vir a ser.
31.10.09
O Mestre da Intuição
Le désordre est simplement l'ordre que nous ne cherchons pas.
Se eu gostasse de tatuagens, tatuava esta citação do Bergson na testa.
E depois, tomando-lhe provavelmente o gosto, tatuaria toda a sua obra em letras muito, muito pequeninas que jamais se conseguiriam ler, pelo resto do corpo.
Henri Bergson
Se eu gostasse de tatuagens, tatuava esta citação do Bergson na testa.
E depois, tomando-lhe provavelmente o gosto, tatuaria toda a sua obra em letras muito, muito pequeninas que jamais se conseguiriam ler, pelo resto do corpo.
30.10.09
28.10.09
27.10.09
Flagrantedelícia
Gosto dos blogs capazes de me convencer a fazer coisas que nunca imaginei vir a fazer. Sobremesas, neste caso.
26.10.09
Afinidades
O que eu procuro nos outros é o que não existe em mim. Dito de outra forma: Abomino afinidades.
Dos Prefácios
Jorge de Sena no prefácio de " O Velho e o Mar" escreve:
"O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nestas páginas (...). Mas vivem sem a mínima poetização panteísta, sem a mínima deliquescência antropomórfica. Vivem. São."
Não sem antes referir, aquilo que - segundo ele - faz com que um escritor consiga fazer da natureza, Ser.
"um conhecimento profundo, de todas as horas, de todos os momentos, dir-se-ia que da mínima tonalidade da luz, como do mais comum gesto de uma espécie animal, conhecimento que na literatura contemporânea só Hemingway possuirá tão despreconceituosamente."
Para se apreciar, verdadeiramente "O Velho e o Mar" também é necessária uma grande dose desse conhecimento que Jorge de Sena refere. Cada vez que volto a ler "O Velho e o Mar, certifico-me que, infelizmente, ainda não a tenho.
"O mar e a sua fauna vivem esplendorosamente nestas páginas (...). Mas vivem sem a mínima poetização panteísta, sem a mínima deliquescência antropomórfica. Vivem. São."
Não sem antes referir, aquilo que - segundo ele - faz com que um escritor consiga fazer da natureza, Ser.
"um conhecimento profundo, de todas as horas, de todos os momentos, dir-se-ia que da mínima tonalidade da luz, como do mais comum gesto de uma espécie animal, conhecimento que na literatura contemporânea só Hemingway possuirá tão despreconceituosamente."
Para se apreciar, verdadeiramente "O Velho e o Mar" também é necessária uma grande dose desse conhecimento que Jorge de Sena refere. Cada vez que volto a ler "O Velho e o Mar, certifico-me que, infelizmente, ainda não a tenho.
25.10.09
Palavras que eu gosto
Tocar
Há bocadinhos da vida melhores do que outros, os melhores bocadinhos da vida - digo-o sem grandes dúvidas - são aqueles em que somos tocados.
Para ser tocado é preciso, antes de mais, tocar.
Há bocadinhos da vida melhores do que outros, os melhores bocadinhos da vida - digo-o sem grandes dúvidas - são aqueles em que somos tocados.
Para ser tocado é preciso, antes de mais, tocar.
24.10.09
23.10.09
By This River
Here we are stuck by this river
You and I underneath a sky
That's ever falling down down down
Ever falling down
Through the day as if on an ocean
Waiting here always failing to remember
Why we came came came
I wonder why we came
You talk to me as if from a distance
And I reply with impressions chosen
From another time time time
From another time.
Brian Eno . "Before and After Science"
22.10.09
21.10.09
20.10.09
18.10.09
17.10.09
O diagnóstico e a terapêutica
O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas. Qualquer um reconhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó de me ame, como por descuido, no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não se pode impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o dente de alho, que nesse caso nao serve para nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino e ao esconjuro das bruxas. Nao há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.
Eduardo Galeano . "O Livro dos Abraços"
16.10.09
A Função da Arte
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcancaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: — Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano . "O Livro dos Abraços"
15.10.09
Pequeno-almoço
Hoje lá estava o professor, no mesmo lugar de sempre, a tomar o seu café, fingi que não o reconhecia - nada provoca mais o professor do que não ser reconhecido - ficou inquieto, nervoso, irritado, olhou primeiro pelo canto do olho, depois mais descaradamente. Finalmente disse: - A menina - trata-me sempre assim, o professor - conhece-me de algum lado? Estranhei a abordagem, tão directa, do professor, quando olhei para os seus olhos, quase julguei que me tinha enganado, querem ver que ele tem sentimentos? Mas, não, não me deixou responder e continuou com a pose do costume: - Não me conhece de lado nenhum e deixa aqui a sua carteira aberta, não faça isto. Menti-lhe: - Eu confio nas pessoas, mesmo nas desconhecidas. Ele sério, explicou-me porque é que eu não devia confiar nos desconhecidos. Muito gosta o professor de dar lições.
É tão fácil enganar quem se julga dono da verdade.
14.10.09
Dos Blogs
Tenho para mim, e para quem quiser, que os melhores blogs, são de mulheres (ou, excepcionalmente, para mulheres). Os piores blogs, também são de mulheres e têm fotografias de sapatos, sandálias e botas de salto alto.
13.10.09
Palavras que não existem em Português
A morte de um ressentimento. Os ingleses usam a expressão No hard feelings para explicar o fim de um ressentimento. A expressão é ambígua e na maior parte das vezes pouco sincera. No entanto diz-nos coisas, úteis, sobre a textura do ressentimento, é duro, áspero e forte, difícil de destruir portanto. Não conheço uma palavra para designar o fim de um ressentimento, só sei que sucede quando menos se espera e sem qualquer necessidade de violência, quanto à textura, é do mais macio e agradável que há.
Reconciliação não é, nem de longe, a palavra que eu procuro.
12.10.09
Ansiedade
Ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade, ansiedade... Medo, vá.
11.10.09
10.10.09
O que eu gostava de saber escrever sobre a urgência que os homens têm em esquecer as mulheres que julgam que amam, mas que afinal não amam.
Da medida das almas
Quando é que os Homens vão perceber que não há nada mais valioso do que uma alma muito grande?
Mamma mia!
Se, aqui há uns anos atrás, eu adivinhasse que aquelas duas minhas alminhas adoráveis iam passar uma noite de sábado a guinchar músicas dos abba num karaoke caseiro, tinha pensado mais seriamente nas consequências da maternidade.
9.10.09
8.10.09
De mim para mim...
É um erro pensar que tudo na vida tem princípio, meio e fim. Pior ainda, é acreditar que existindo (princípio meio e fim), se apresentam exactamente por esta ordem. Todas as combinações e omissões de partes são possíveis, por exemplo: Existem coisas sem fim, que têm principio e podem ou não ter meio, ou, coisas que não têm princípio mas têm fim e depois o meio (como a ansiedade).
O problema é que estas coisas nunca podem ser contadas como nas histórias, porque, já se sabe, as histórias têm sempre princípio, meio e fim.
O problema é que estas coisas nunca podem ser contadas como nas histórias, porque, já se sabe, as histórias têm sempre princípio, meio e fim.
7.10.09
Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.
Nuno Júdice
Injustiças e assim...
É muito injusta a carga negativa da palavra "mulherengo" ao falar de um tipo de homens que se julgam capazes, da tarefa quase divina, de amar todas as mulheres do mundo. Alguns, coitados, até o conseguem.
Insónia
Não gosto da palavra... É uma desculpa, para explicar um desassossego que se instala, teimosamente, à flor da pele, precisava de palavras que nunca me ensinaram. Pode-se sobreviver sem palavras, mas não se pode vencer uma insónia sem as palavras certas. As que só tu me podias ensinar, se quisesses.
6.10.09
Fugir
Self blog
Um blog pessoal, para ser bom, tem de estar cheio de inconfidências, mas nunca revelar o fundamental.
5.10.09
4.10.09
3.10.09
2.10.09
Copy paste (e prometo que este assunto está encerrado)
Innocent When You Dream
I made a golden promise
that we would never part
I gave my love a locket
and then I broke her heart
that we would never part
I gave my love a locket
and then I broke her heart
Tom Waits . "Innocent When You Dream"
1.10.09
30.9.09
Far from me
You told me you'd stick by me
Through the thick and through the thin
Those were your very words
My fair-weather friend
You were my brave-hearted lover
At the first taste of trouble went running back to mother
So far from me
29.9.09
Palavras e assim
Civilization began the first time an angry person cast a word instead of a rock.
Sigmund Freud
Post dedicado a um Hordaholic como eu.
27.9.09
I still have the other girl
That is why
Sometimes I... hesitate
Because I still have that other girl
In my head
Brasil
Nunca vou esquecer esta menina dos hibiscos que, certo dia, se atravessou na minha vida por brevíssimos momentos, mas esqueço com facilidade pessoas que permaneceram tempo demais na minha vida. Esquecer, digam o que disserem, é muito mais fácil do que amar.
E a beleza é um brevíssimo momento.
E a alegria é inesquecível.
26.9.09
25.9.09
Almas e assim...
“Entre duas pessoas que se amam existe o Amor. O amor separa as almas, como o céu azul separa os mundos…Há um infinito de amor entre duas almas que se amam…”.
Teixeira de Pascoaes
Caro amigo
Sou muito dada a enganos, mas, caramba! O mesmo engano duas vezes, isso garanto-lhe que não me acontece nunca.
24.9.09
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